Agenda Econômica

‘Trump dos trópicos’, Marielle e compras: como foi a viagem de Bolsonaro aos EUA

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Foram três dias intensos de visita aos Estados Unidos, nos quais o presidente Jair Bolsonaro se dividiu entre encontros com lideranças conservadoras, uma reunião com o presidente Donald Trump, uma visita oficial à Agência Central de Inteligência (CIA) e ainda encontrou tempo para…uma pa ‘Grande maioria dos imigrantes não tem boas intenções nem quer fazer o bem aos americanos’, afirma Bolsonaro à Fox News ssadinha no shopping. Veja abaixo cinco pontos para entender como foi a primeira viagem oficial do presidento brasileiro ao exterior.

‘Trump dos trópicos’

Não foi à toa que Bolsonaro escolheu visitar Trump antes de qualquer outro líder estrangeiro depois de ter assumido a Presidência. Além de nunca ter escondido que é fã do chefe da Casa Branca, ele parece imitar várias táticas do americano, inclusive com os seus fervorosos posts no Twitter. Foi isso que chamou a atenção de muita gente nos Estados Unidos, incluindo da conservadora televisão Fox News, que o chamou de “Trump dos trópicos”. Pegou o apelido.

Entretanto, mesmo o canal fortemente ligado a Trump não poupou Bolsonaro de algumas críticas e questionamentos. Em entrevista exclusiva, o brasileiro foi questionado sobre as acusações de conexões com suspeitos pelo assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e também sobre suas frases de tom homofóbico, que a Fox chamou de “contrária a valores americanos”.

Comércio: cedeu muito, ganhou pouco

Presidente Jair Bolsonaro entrega camisa 10 a Donald Trump na Casa Branca

Depois da visita de Bolsonaro, Trump deixou claro que apoia a entrada da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), conforme deseja o governo brasileiro. Mas também este aval não saiu de graça, e o presidente brasileiro concordou em “começar a renunciar” ao status de país emergente para o Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Por um lado, o Brasil, caso de fato entre na OCDE, poderá defender seus pontos de vista com mais facilidade no organismo, que reúne 36 nações que estão entre as economias mais ricas do mundo. Por outro, entretanto, analistas acham que o Brasil cedeu mais do que ganhou, uma vez que, ao abandonar o rótulo de “emergente”, perderá também uma série de benefícios, como prazos maiores para a adequação a acordos comerciais e regras mais flexíveis na concessão de subsídios industriais. Outros países que se autodenominam emergentes são China, Índia e Coreia do Sul.

Venezuela: presidente se esquivou

Presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump diante das câmeras na Casa Branca

Em entrevista a jornalistas na Blair House, onde ficou hospedado em Washington, Bolsonaro se esquivou de uma pergunta sobre a possibilidade de participação brasileira em uma eventual intervenção militar liderada pelos Estados Unidos na Venezuela. Disse que não comentaria o que foi discutido com Trump a portas fechadas.

— Nós conversamos particularmente essa questão. Diplomacia em primeiro lugar. Trump repetiu que todas as opções estão na mesa. O que ele conversou comigo reservadamente, me desculpem mas não vou poder conversar com vocês — destacou. — Nós queremos resolver essa situação, porque o Brasil está sendo prejudicado. E não nos interessa, nem a nós e nem a eles, que um país se perpetue na situação em que se encontra a Venezuela.

Eduardo Bolsonaro, um chanceler informal

Eduardo Bolsonaro no Salão Oval ao lado dos presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump

Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do presidente, o acompanhou no muito aguardado encontro com Trump. Já o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, não estava presente no Salão Oval, o centro do poder na Casa Branca, onde os dois chefes de Estado deram breves declarações à imprensa antes de uma reunião a portas a fechadas.

De acordo com a assessoria de imprensa do Itamaraty, a previsão era de que Trump e Bolsonaro se reuniriam a sós, apenas com os intérpretes, e por isso o chanceler não entrou. O ministério também disse que, ao ser apresentado por Bolsonaro a Trump como filho, Eduardo foi convidado pelo próprio americano a entrar no Salão Oval.

Eleito presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa da Câmara (CREDN) na semana passada, Eduardo já vinha atuando como chanceler informal desde antes de assumir este cargo. Em novembro passado, já fizera viagem a Washington representando o governo do pai.

Pausa para as compras

O presidente Jair Bolsonaro diante da Blair House, em Washington: equívoco sobre imigrantes

Bolsonaro explicou na terça-feira por onde andou nas cerca de duas horas em que ficou “desaparecido” em Washington no dia anterior. Após deixar a sede da Agência Central de Inteligência americana (CIA) por volta das 10h, Bolsonaro, acompanhado de seguranças, saiu para um destino não informado pelo governo.

— Eu passei em um shopping aqui. Não fiquei mais do que uma hora lá dentro e saí fora — disse o presidente a jornalistas ao voltar da visita ao cemitério nacional de Arlington para a Blair House, onde está hospedado.

Questionado sobre o que havia comprado, respondeu:

— Comprei só uns dois calções e uma camisa.

Fonte: Extra/Globo

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