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Auxílio emergencial não cobre nem metade do valor da cesta básica, diz Dieese

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Se não fossem as doações de cesta básica, a dona de casa Fernanda Pereira diz que a família estaria passando fome. O marido dela é cabeleireiro e está com o salão fechado. A única renda fixa é o Bolsa Família. Agora vai receber só o auxílio emergencial que, segunda ela, vai fazer pouca diferença. “São mais ou menos R$ 30 a mais. Com R$ 250 não dá para nada”, diz ela.

Pelas contas do Dieese, os R$ 250 que a maioria vai receber, não dão para comprar nem metade da cesta básica, que pode custar até R$ 640. São R$ 8,33 por dia, pouco mais de R$ 2 para cada integrante de uma família de quatro pessoas.

Com R$ 8,33 é possível comprar 13 produtos, mas tudo bem pouco: menos de um bife, três colheres de arroz, duas de óleo, uma concha e meia de feijão, um tomate, menos de um copo de leite, menos de um quarto de xícara de farinha, meia batata, um pão e meio, menos de uma colher de manteiga, menos de meia xícara de café, uma banana e quatro colheres de açúcar. Imagina esse prato de comida para uma família de quatro pessoas?

“Se a gente pegar a inflação dos alimentos, eles subiram mais de 15% num espaço de um ano, mas com alguns alimentos elevando muito seu preço, que foi o caso do arroz, do feijão, do óleo de soja. Então, quando a gente pega elementos muito básicos da cesta básica dos trabalhadores em geral, os próprios R$ 250 não compram a mesma quantidade de alimentos que compravam há um ano. Isso é muito aquém da necessidade para manutenção de uma segurança alimentar, que deveria ser o objetivo do auxílio emergencial”, explicou o diretor-técnico do Dieese, Fausto Augusto Júnior.

A cabelereira Fabíola Souza tem dois filhos. A geladeira está praticamente vazia. O armário tem pouco mantimento. Ela conta os dias para receber o auxílio emergencial, mas diz que o dinheiro não vai ser suficiente para encher a dispensa.

“É um dinheiro pouco que não dá para manter duas crianças o mês todo. eu tinha um restinho de leite na geladeira que eu dei para a menina, o menino ficou sem. Então eu vou no meu canteirinho, eu tenho erva cidreira lá, vou fazer um chá de erva cidreira para ele. Está difícil, eu não sei como vou fazer”, diz Fabíola.

O Ministério da Cidadania declarou que o governo federal tem trabalhado para estabelecer uma rede de proteção para a população mais vulnerável; que tem adotado as medidas necessárias para que a nova rodada do auxílio alcance a população mais carente; que o objetivo é atender ao maior número de pessoas e, ao mesmo tempo, com responsabilidade fiscal, respeitar o limite de R$ 44 bilhões estabelecido para o programa, por emenda constitucional.

Fonte: G1